SEJA BEM-VINDO AO MEU MAR DE EMOÇÕES...

sábado, setembro 24, 2011

Ou até se não puder ser...


"Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser..."


(Álvaro de Campos)

 

sexta-feira, setembro 02, 2011

Aprecia o Momento...

"Há certos instantes em que o coração e a alma são inundados de silêncio.
Momentos em que o ruido do Mundo recua e nos deixa encontrar a Paz.
Tão breve é a trégua!
Aprecia o momento."


Que possas ter tranquilidade em toda a tua Vida
 e que permaneças calmo e seguro aconteça o que acontecer...

quinta-feira, setembro 01, 2011

A LIBERDADE DA ALMA


O texto é adaptado de um poema de John Muir
“Quero deixar minha alma livre, para que ela possa desfrutar de todos os dons que os espíritos possuem. Quando isto for possível, não tentarei conhecer as crateras da lua, nem seguir os raios de sol até sua fonte. Não procurarei entender a beleza da estrela, ou a desolação artificial do ser humano”.
“Quando souber como libertar minha alma, seguirei a aurora, e buscarei voltar com ela através do tempo. Quando souber libertar minha alma, mergulharei nas correntes que deságuam num oceano onde todas as águas se cruzam, e formam a alma do mundo”.
“Quando souber libertar minha alma, procurarei ler a esplêndida página da Criação desde o princípio”.

quarta-feira, agosto 24, 2011

"És toda partículas que se espalham pela casa, és toda moléculas de pele que pairam como bandos de pássaros numa casa de janelas abertas para a cidade das palmeiras, dos jacarandás, das árvores que conspiram para plagiar o teu cheiro. Escuta como digo: o teu cheiro. Está nos vincos da almofada que te marcam a cara quando dormes toda a manhã, está nas meias coloridas e nas pastilhas elásticas que deixas nos recantos do quarto, está nas mãos que não se cansam de te apertar. O teu cheiro: milhões de partículas que se despegam desses lugares em ti, do cabelo molhado quando sais do banho e um rádio toca alto na sala, das mãos escrevendo bilhetes com caligrafia de carta antiga, da curva do pescoço que serve de casa, de templo, de falésia ao resto do teu corpo.

Não há outra maneira de o dizer: farejo-te como um bicho, o nariz imitando os dedos, deslizando pela tua pele como um peregrino ou um caçador. O teu cheiro: infinitos fragmentos de ti, o teu código genético, tudo aquilo que já foste - mergulhos na praia Grande, mortais de ginasta, sobrancelhas levantadas pela curiosidade de perceber e viver tudo o que te rodeia. O teu cheiro, ainda o teu cheiro. Se te toco altera-se, se acordas é outra coisa, se te vais embora fica por aqui, balançando todo o dia como uma cama de rede num alpendre. O teu cheiro: tantos e tantos pedaços de ti que respiro agora mesmo, suaves estilhaços que pousam nos pulmões e entram na circulação sanguínea, instalando-se em cada célula, forrando o lado interior do coração. O teu cheiro és tu a pulsar dentro de mim."

(Hugo Gonçalves)

quinta-feira, agosto 04, 2011

Não fujas...



"Não, não fujas. Tu não és cobarde e já enfrentaste muitas desilusões por isso olha-a nos olhos. Vês? Vês todo o amor que neles residem? Ela era capaz de dar tudo para não te ver triste. Era capaz de levar todas as estrelas do universo para voltarem a iluminarem os teus olhos profundos e ausentes, que perderam todo o seu brilho. Todos os sorrisos e toda a felicidade do mundo, só para voltares a ser a pessoa doce que sempre foste. Isto, simplesmente por que te ama. E se gostas tanto dela como dizes, não lhe vires as costas pois sabes bem que ela nunca te fez isso. Esteve sempre lá de braços abertos para ti quando te sentiste perdido. Quando o teu mundo desabou, foi ela que te deu a mão e te ajudou a erguer para poderes enfrentar tudo e todos. Por isso olha para ela, amor: ela só precisa de ti. Só precisa que estejas lá ao lado dela e a levantes tal como ela te levantou.
 Apenas isso."

terça-feira, agosto 02, 2011

E assim é...



"Abraço-te,

percebo-te no silêncio dos teus lábios

nos olhos húmidos

repousando na maresia,

pintada pelo sol

em cores que não se sabem dizer;

não se copiam.

Sinto os teus braços

nos meus,

sinto todo o teu corpo tremer.

O teu cabelo fala ao vento

e liga-se aos meus lábios

olhamos,

com o olhar paralelo,

como se fossemos

um par de dois olhos

um ser estranho,

bicéfalo.

A ternura da tua pele

arrecadada nos meus dedos,

tem a textura de todas as memórias,

o sabor de ti

o teu cheiro

que me violenta e inebria

que não me deixa esquecer,

que vivo de ti.



Depois ficam as palavras,

lidas, relidas,

o tema sempre repetido

eterno amor.

Que do resto,

do mundo de todas as histórias,

as cicatrizes da alma

mostram,

testemunhas

permanentes, confidentes

que nunca nos deixam sós...



quinta-feira, junho 16, 2011

O Amor é cego...

http://fc09.deviantart.net/fs19/i/2010/346/b/d/love_is_in_the_eye____by_nickel_chan-d136916.jpg


"O amor é cego, quando o coração nos impede de ver o caminho certo. O amor é cego quando caímos vezes sem conta no mesmo erro, pelo qual já sofremos e com o qual devíamos ter aprendido. Mas não, porque o amor é cego. Num jogo segue de dois sentimentos deixa de existir um terceiro, ou um quarto. As opiniões deixam de valer tanto. Os sorrisos tornam-se mais escassos e o mundo encurta, embora nos pareça enormes. Criamos um mundo cego, onde só vemos o que queremos ver e o que nem sempre é a realidade. Tudo parece perfeito até ao momento onde o cego se torna visível e o manto do segredo caí para nos mostrar a realidade.
O amor é cego, ao ponto de cairmos no mesmo erro vezes sem conta. Ao ponto de acreditar-mos que tudo poderá ser diferente apenas porque acreditamos que as pessoas também são diferentes. Mas os sentimentos são iguais e o amor é cego.
O que nos torna cegos é o facto de tudo parecer novo e não lembrar-mos que já vivemos esse sentimento antes e esse mesmo sentimento já nos fez sofrer. Sempre tendemos a esquecer as coisas que aos nossos olhos são negativas e é por essa razão que tudo nos parece novo. Mas tudo é igual e nós continuamos cegos. O amor é cego porque cada um de nós tem um lado cego e infelizmente esse fala mais alto do que o nosso lado visível…"

Fiquem Bem!

quarta-feira, junho 01, 2011

Para as nossas Princesas...

Antes de as conhecermos, já as amávamos...
E com muita alegria, as vimos nascer.
São meninas lindas, meigas, doces, e, de certeza que vão sorrir, crescer, amadurecer, descobrir e encontrar o vosso caminho, construir o vosso futuro, e, nós caminharemos a vosso lado.
Iremos transmitir-vos todo o nosso saber e valores.
Seremos Pais, Amigos, Guias...
Seremos os vossos alicerces, o vosso ninho, com quem podem sempre contar.
Vamos Amar-vos sempre com todo o nosso coração.
Para as nossas Princesas , temos a vida inteira aos vossos pés...

UM DIA FELIZ!!

domingo, abril 17, 2011

Algumas das coisas que aprendi na vida...

Que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam.
Que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la.
Que as circunstâncias e o ambiente têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Que ou você controla seus actos, ou eles o controlarão.
Aprendi que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Que paciência requer muita prática.
Que existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar isso.
Que algumas vezes a pessoa que você pensa que vai lhe dar o golpe mortal quando você cai, é uma das poucas que lhe ajudam a levantar-se.
Que só porque uma pessoa não o ama como você quer, não significa que ela não o ame com tudo o que pode.
Que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens: seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Na maioria das vezes você tem que perdoar a si mesmo.
Que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido; “o mundo não pára, esperando que você o conserte".





sexta-feira, abril 15, 2011

:-)




Hoje dê um dos seus sorrisos a um estranho.
 Esse pode ser o único raio de sol que ele verá durante todo o dia.

—P.S. Eu Te Amo

quarta-feira, abril 06, 2011

NÃO TE AMO!


Não te amo! Não! Não te amo!
E no entanto quanto não estás, como me apetece morrer
E como invejo o céu azul por cima de ti
E as quietas estrelas, que te podem ver.

Não te amo! – e no entanto, ainda que repita que não
Tudo o que fazes é perfeito para mim
E suspiro na solidão
Lamentando que os outros não sejam assim.

Não te amo! – E contudo
Como odeio as vozes, ainda que amadas
Que quebram as músicas demoradas
Deixadas dentro de mim por ti.

Não te amo - e contudo os teus olhos falantes
Com o seu profundo azul, expressivos e brilhantes
Interpõem-se entre mim e o céu por cima de ti
Mais frequentemente que quaisquer olhos que já conheci.

Sei que não te amo! Mas já vi
Quão divertidos os outros ficam
Quando me vêem olhando perdida para ti.



Caroline Norton, 1808-1877, I Do Not Love Thee
(Tradução livre)


quarta-feira, março 23, 2011

Página em Criação...

«Deus deixou várias coisas para terminar, de modo que o homem possa exercer suas habilidades.
Deixou a eletricidade na nuvem e o óleo no fundo da terra.
Criou os rios sem pontes, as florestas sem estradas, os campos sem casas.
Deixou as pinturas do lado de fora dos quadros, os sentimentos para serem descritos, as montanhas para serem conquistadas, os problemas para serem resolvidos.
Deus deixou várias coisas para terminar, de modo que o homem possa compartilhar a alegria da criação.»



quinta-feira, março 03, 2011

Há Palavras Que Nos Beijam...



Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.



(Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca' )

terça-feira, fevereiro 22, 2011

É tudo isso...


«Não fala. Não se explica. Não se vê e muito menos se apalpa. A sua dimensão não cabe na própria palavra de definição, nem há palavras exactas que o definam. Não se sabe porquê nem se sabe o sentido na sua existência. Não tem limites quantificáveis nem padrões comportamentais a serem seguidos. Não é incógnito, não é um mistério nem um mito. Ele existe na sua real personificação em actos e euforias sentimentais. Falasse dele soletrando uma palavra, mas essa mesma palavra é tão vazia de conteúdo que nem dele sabe falar na sua plenitude, apenas estabelece uma forma verbal para que possa ser identificado. É muito mais que isso, muito mais que palavras e conceitos. Vai para além das teorias e conversas abstractas. É superior ao desejo humano de egoísmo social estabelecendo pontes entre impossíveis. Não tem cheiro nem cor, pode ser todas as cores ao mesmo tempo, e nesse mesmo tempo não ser nenhuma. Pode tudo e o impossível. Fazemos uso dele mesmo sem sequer ser suposto estar a senti-lo! »

(Ana Soares da Silva Rodrigues Neto, in 'Textos de Amor – Museu Nacional da Imprensa)

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

O Amor...

"Dizem que o Amor é difícil, que faz sofrer e que só traz desilusões, e eu agora questiono:
«Será verdade? Será que é mesmo assim?»
 O Amor não é dificil, as pessoas é que o complicam, o Amor só faz sofrer?
 Como tudo na vida, há maus momentos e bons momentos, sem sacrifícios e esforço não se chega onde se quer, por muito que queiramos, e desilusões?
Muitas, poucas, algumas, faz parte da vida, altos e baixos não nos matam, fortalecem- nos e ajudam-nos a resolver o mais difícil dos todos os problemas..."

Amar é saber ultrapassar o impossivel...
Amar é saber dizer que te amo com um simples olhar...
Não existe amor à primeira vista, existe é a pessoa certa no momento certo.

Assim és Tu...


segunda-feira, fevereiro 07, 2011

O Teu Olhar...


«Sexo e intimidade não são a mesma coisa. Pode ter sexo a vida toda e nunca ser íntima com uma pessoa. Tem de haver empatia na relação e gostar de ver através dos olhos do outro. Quando está com ele, está mesmo, sem pensar no que tem de fazer amanhã.»

(J. Fonda, actriz)

domingo, janeiro 30, 2011

Feridos por Amor...




«Em todos os ferimentos definitivos, também chamados “rupturas”, o único medicamento capaz de fazer efeito chama-se Tempo.
Não adianta procurar consolo em cartomantes (que sempre dizem que o amor perdido irá voltar), livros românticos (cujo final é sempre feliz), novelas de TV ou coisas do gênero.
Deve-se sofrer com intensidade, evitando-se por completo drogas, calmantes, orações para santos.
Álcool só é tolerado em um máximo de dois copos de vinho por dia.
 (...)
E os que jamais foram feridos por amor, não poderão nunca dizer: “vivi”.
Porque não viveram.»

(Paulo Coelho)

sábado, janeiro 29, 2011

Um sonho maior...


«Todos precisamos de uma visão para a vida e, mesmo quando nos esforçamos para a alcançar, temos de render-nos a um poder maior do que o que sabemos. Um dos principios que definem a minha vida e que adoro partilhar, é que Deus é capaz de sonhar sonhos maiores para nós do que nós alguma vez somos capazes de sonhar para nós própios.»
(Oprah)

domingo, janeiro 23, 2011

O Primeiro Amor...


«É fácil saber se um amor é o primeiro amor ou não. Se admite que possa ser o primeiro, é porque não é, o primeiro amor só pode parecer o último amor. É o único amor, o máximo amor, o irrepetível e incrível e antes morrer que ter outro amor. Não há outro amor. O primeiro amor ocupa o amor todo.

Nunca se percebe bem por que razão começa. Mas começa. E acaba sempre mal só porque acaba. Todos os dias parece estar mesmo a começar porque as coisas vão bem, e o coração anda alto. E todos os dias parece que vai acabar porque as coisas vão mal e o coração anda em baixo.

O primeiro amor dá demasiadas alegrias, mais do que a alma foi concebida para suportar. É por isso que a alegria dói - porque parece que vai acabar de repente. E o primeiro amor dói sempre demais, sempre muito mais do que aguenta e encaixa o peito humano, porque a todo o momento se sente que acabou de acabar de repente. O primeiro amor não deixa de parte um único bocadinho de nós. Nenhuma inteligência ou atenção se consegue guardar para observá-lo. Fica tudo ocupado. O primeiro amor ocupa tudo. É inobservável. É difícil sequer reflectir sobre ele. O primeiro amor leva tudo e não deixa nada.

Diz-se que não há amor como o primeiro e é verdade. Há amores maiores, amores melhores, amores mais bem pensados e apaixonadamente vividos. Há amores mais duradouros. Quase todos. Mas não há amor como o primeiro. É o único que estraga o coração e que o deixa estragado.

É como uma criança que põe os dedos dentro de uma tomada eléctrica. É esse o choque, a surpresa «Meu Deus! Como pode ser!» do primeiro amor. Os outros amores poderão ser mais úteis, até mais bonitos, mas são como ligar electrodomésticos à corrente. Este amor mói-nos o juízo como a Moulinex mói café. Aquele amor deixa-nos cozidos por dentro e com suores frios por fora, tal e qual num micro-ondas. Mas o «Zing!» inicial, o tremor perigoso que se nos enfia por baixo das unhas e dá quatro mil voltas ao corpo, naquele micro-segundo de electricidade que nos calhou, só acontece no primeiro amor.

O primeiro beijo é sempre uma confusão. Está tudo a andar à volta e não se consegue parar. A outra pessoa assalta-nos e deixa-nos tontos, isto apesar de ser tão tímida e inepta como nós. E os nomes dos nossos primeiros amores? Os nomes doem. Parecem minúsculos milagres. Cada vez que se pronunciam, rebenta um pequeno terramoto no equador. E as mãos? Quando a mão entra na mão de quem se ama e se sente aquele exagero de volts e de pele, a única resposta sensata é o assassínio, o exílio, o suicídio. Nada fica de fora. O mundo é uma conspiração cinzenta de amores em segunda mão. Nada é puro fora daquelas mãos. O tesouro está a arder, as pessoas estão a morrer, os olhos cheios de luz estão a cegar, mas o primeiro amor é também, e sem dúvida, o primeiro amor do mundo.

O primeiro amor é aquele que não se limita a esgotar a disposição sentimental para os amores seguintes: quer esgotá-la. Depois dele, ou depois dela, os olhos e os braços e os lábios deixam de ter qualquer utilidade ou interesse. As outras pessoas - por muito bonitas e fascinantes que sejam - metem-nos nojo. Só no primeiro amor.

Não há amor como o primeiro. Mais tarde, quando se deixa de crescer, há o equivalente adulto ao primeiro amor - é o primeiro casamento; mas não é igual. O primeiro amor é uma chapada, um sacudir das raízes adormecidas dos cabelos, uma voragem que nos come as entranhas e não nos explica. Electrifica-nos a capacidade de poder amar. Ardem-nos as órbitas dos olhos, do impensável calor de poder-mos ser amados. Atiramo-nos ao nosso primeiro amor sem pensar onde vamos cair ou de onde saltamos. Saltamos e caímos. Enchemos o peito de ar, seguramos as narinas com os dedos a fazer de mola de roupa, juramos fazer três ou quatro mortais de costas, e estatelamo-nos na água ou no chão, como patos disparados de um obus, com penas a esvoaçar por toda a parte.

Há amores melhores, mas são amores cansados, amores que já levaram na cabeça, amores que sabem dizer «Alto-e-pára-o-baile», amores que já dão o desconto, amores que já têm medo de se magoarem, amores democráticos, que se discutem e debatem. E todos os amores dão maior prazer que o primeiro. O primeiro amor está para além das categorias normais da dor e do prazer. Não faz sentido sequer. Não tem nada a ver com a vida. Pertence a um mundo que só tem duas cores - o preto-preto feito de todos os tons pretos do planeta e o branco-branco feito de todas as cores do arco-íris, todas a correr umas para as outras.

Podem ficar com a ternura dos 40 e com a loucura dos 30 e com a frescura dos 20 - não outro amor como o doentio, fechado-no-quarto, o amor do armário, com uma nesga de porta que dá para o Paraíso, o amor delirante de ter sempre a boca cheia de coração e não conseguir dizer outra coisa com coisa, nem falar, nem pedir para sair, nem sequer confessar: «Adeus Mariana - desta vez é que me vou mesmo suicidar.» Podem ficar (e que remédio têm) com o savoir-faire e os fait-divers e o «quero com vista pró mar se ainda houver». Não há paz de alma, nem soalheira pachorra de cafunés com champagne, que valha a guerra do primeiro amor, a única em que toda a gente morre e ninguém fica para contar como foi.

Não há regras para gerir o primeiro amor. Se fosse possível ser gerido, ser previsto, ser agendado, ser cuidado, não seria primeiro. A única regra é: Não pensar, não resistir, não duvidar. Como acontece em todas as tragédias, o primeiro amor sofre-se principalmente por não continuar. Anos mais tarde, ainda se sonha retomá-lo, reconquistá-lo, acrescentar um último capítulo mais feliz ou mais arrumado. Mas não pode ser. O primeiro amor é o único milagre da nossa vida - e não há milagres em segunda mão. É tão separado do resto como se fosse uma primeira vida. Depois do primeiro amor, morre-se. Quando se renasce há uma ressaca. É um misto de «Livra! Ainda bem que já acabou!» e de «Mas o que é isto? Para onde é que foi?».

Os outros amores são maiores, são mais verdadeiros, respeitam mais as personalidades, são mais construtivos - são tudo aquilo que se quiser. Mas formam um conjunto entre eles. O segundo e o terceiro e o quarto, por muito diferentes, são mais parecidos. São amores que se conhecem uns aos outros, bebem copos juntos, telefonam-se, combinam ir à Baixa comprar cortinados. O primeiro amor não forma conjunto nenhum. Nem sequer entre os dois amantes - os primeiros, primeiríssimos amantes. Acabam tão separados os dois como o primeiro amor acaba separado dos demais. O amor foi a única coisa que os prendeu e o amor, como toda a gente sabe, não chega para quase nada. É preciso respeito e bláblá, compreensão mútua e muito bláblá, e até uma certa amizade bláblá. Para se fazer uma vida a dois que seja recompensadora e sobretudo bláblá, o amor não chega. Não se vive só dele. Não se come. Não se deixa mobilar. Bláblá e enfim.

Mas é por ser insustentável e irrepetível que o primeiro amor não se esquece. Parece impossível porque foi. Não deu nada do que se quis. Não levou a parte nenhuma. O primeiro amor deveria ser o primeiro e esquecer-se, mas toda a gente sabe, durante o primeiro amor ou depois, que é sempre o último.

Afinal nem é por ser primeiro, nem é por ser amor. A força do primeiro amor vem de queimar - do incêndio incontrolável - todas aquelas ilusões e esperanças, saudades pequenas e sentimentos, que nascem em nós com uma força exagerada e excessiva. Como se queima um campo para crescer plantas nele. Se fôssemos para todos os outros amores com o coração semelhantemente alucinado e confuso, nunca mais seríamos felizes. É essa a tristeza do primeiro amor. Prepara-nos para sermos felizes, limando arestas, queimando energias, esgotando inusitadas pulsões, tornando-nos mais «inteligentes».

É por isso que o primeiro amor fica com a metade mais selvagem e inocente de nós. Seguimos caminho, para outros amores, mais suaves e civilizados, menos exigentes e mais compreensivos. Será por isso que o primeiro amor nunca é o único? Que lindo seria se fosse mesmo. Só para que não houvesse outro.»

[ Miguel Esteves Cardoso - Os Meus Problemas (1988)]



Para a minha querida filha...

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Não Desista de Mim...


A porta fechou-se contigo,
Levaste na noite o meu chão,
E agora neste quarto vazio
Não sei que outras sombras virão.
E alguém ao longe me diz:


Há um perfume que ficou na escada,
E na TV o teu canal está aberto,
Desenhos de corpos na cama fechada,
São um mapa de um passado deserto.


Eu sei que houve um tempo
Em que tu e eu
Fomos dois pássaros loucos,
Voámos pelas ruas
Que fizemos céu,
Somos a pele um do outro.


Não desistas de mim,
Não te percas agora,
Não desistas de mim
A noite ainda demora.


Ainda sei de cor o teu ventre
E o vestido rasgado de encanto,
A luz da manhã,
O teu corpo por dentro,
E a pele na pele de quem se quer  tanto.
 
(Pedro Abrunhosa)

 



segunda-feira, janeiro 17, 2011

* Momentos...*

«Reconheço o divino na minha vida quotidiana, essa mudança inesperada que às vezes sinto quando oiço música, danço, corto legumes ou até quando venho para casa a pé do metropolitano e a luz está perfeita. Nesses momentos, sinto-me ligada a uma quietude muito diferente da minha habitual azáfama de pensamentos e preocupações.»

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Acredito...



"Acredito que o amor se espande.
Quando distribuímos amor, ele é recebido e devolvido, e cresce.
É nisso que está a sua beleza.
O amor é uma energia.
Podemos dá-lo às pessoas e, no fim, regressa sempre a nós."

sábado, janeiro 08, 2011

Vida em Mim...


"Hoje estás em casa, meu amor. Olho ansioso para a tua expressão. Que países transportas no teu olhar? Desertos? Praias? Que brisas ou ventos, rochas ou marés? É importante saber, porque sou viajante da tua paisagem e habito as tuas fronteiras. Será que me devo cobrir como um beduíno e viajar solitário numa paisagem de areia? Ou deito-me a teu lado a ouvir o coro que o mar faz quando acompanha o canto das gaivotas? É importante saber, meu amor, porque se Deus me deu a graça de mais um dia, é para que o celebre. Então, à vida ergo o meu copo, estendo-lhe o braço, agarro-a pela cintura e com ela danço as rodas da infância, e, quando, já cansado, no teu peito pouso a minha mão, bebo sófrego e fremente o lago dos teus olhos."

("Vida em mim" de Nuno Lobo Antunes)

domingo, janeiro 02, 2011

Neste Novo Ano...


"Que a gente cresça e não envelheça simplesmente. Que tenhamos dores nas costas e alguém que as massage. Que tenhamos rugas e boas lembranças. Que tenhamos juízo mas mantenhamos o bom humor e um pouco de ousadia. Que sejamos racionais, mas lutemos por nossos sonhos.
E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo, mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos, sintam-se amados mais do que se saibam amados."



sábado, janeiro 01, 2011