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quarta-feira, agosto 24, 2011

"És toda partículas que se espalham pela casa, és toda moléculas de pele que pairam como bandos de pássaros numa casa de janelas abertas para a cidade das palmeiras, dos jacarandás, das árvores que conspiram para plagiar o teu cheiro. Escuta como digo: o teu cheiro. Está nos vincos da almofada que te marcam a cara quando dormes toda a manhã, está nas meias coloridas e nas pastilhas elásticas que deixas nos recantos do quarto, está nas mãos que não se cansam de te apertar. O teu cheiro: milhões de partículas que se despegam desses lugares em ti, do cabelo molhado quando sais do banho e um rádio toca alto na sala, das mãos escrevendo bilhetes com caligrafia de carta antiga, da curva do pescoço que serve de casa, de templo, de falésia ao resto do teu corpo.

Não há outra maneira de o dizer: farejo-te como um bicho, o nariz imitando os dedos, deslizando pela tua pele como um peregrino ou um caçador. O teu cheiro: infinitos fragmentos de ti, o teu código genético, tudo aquilo que já foste - mergulhos na praia Grande, mortais de ginasta, sobrancelhas levantadas pela curiosidade de perceber e viver tudo o que te rodeia. O teu cheiro, ainda o teu cheiro. Se te toco altera-se, se acordas é outra coisa, se te vais embora fica por aqui, balançando todo o dia como uma cama de rede num alpendre. O teu cheiro: tantos e tantos pedaços de ti que respiro agora mesmo, suaves estilhaços que pousam nos pulmões e entram na circulação sanguínea, instalando-se em cada célula, forrando o lado interior do coração. O teu cheiro és tu a pulsar dentro de mim."

(Hugo Gonçalves)

quinta-feira, agosto 04, 2011

Não fujas...



"Não, não fujas. Tu não és cobarde e já enfrentaste muitas desilusões por isso olha-a nos olhos. Vês? Vês todo o amor que neles residem? Ela era capaz de dar tudo para não te ver triste. Era capaz de levar todas as estrelas do universo para voltarem a iluminarem os teus olhos profundos e ausentes, que perderam todo o seu brilho. Todos os sorrisos e toda a felicidade do mundo, só para voltares a ser a pessoa doce que sempre foste. Isto, simplesmente por que te ama. E se gostas tanto dela como dizes, não lhe vires as costas pois sabes bem que ela nunca te fez isso. Esteve sempre lá de braços abertos para ti quando te sentiste perdido. Quando o teu mundo desabou, foi ela que te deu a mão e te ajudou a erguer para poderes enfrentar tudo e todos. Por isso olha para ela, amor: ela só precisa de ti. Só precisa que estejas lá ao lado dela e a levantes tal como ela te levantou.
 Apenas isso."

terça-feira, agosto 02, 2011

E assim é...



"Abraço-te,

percebo-te no silêncio dos teus lábios

nos olhos húmidos

repousando na maresia,

pintada pelo sol

em cores que não se sabem dizer;

não se copiam.

Sinto os teus braços

nos meus,

sinto todo o teu corpo tremer.

O teu cabelo fala ao vento

e liga-se aos meus lábios

olhamos,

com o olhar paralelo,

como se fossemos

um par de dois olhos

um ser estranho,

bicéfalo.

A ternura da tua pele

arrecadada nos meus dedos,

tem a textura de todas as memórias,

o sabor de ti

o teu cheiro

que me violenta e inebria

que não me deixa esquecer,

que vivo de ti.



Depois ficam as palavras,

lidas, relidas,

o tema sempre repetido

eterno amor.

Que do resto,

do mundo de todas as histórias,

as cicatrizes da alma

mostram,

testemunhas

permanentes, confidentes

que nunca nos deixam sós...